O que torna um vilão um bom vilão?
O que torna um vilão um bom vilão?
Uma boa história para funcionar, ela apresenta uma crise a ser superada, pelo protagonista, e na grande maioria das vezes esse obstaculo se da a partir de um antagonista, aquele que vai tentar impedir, frustrar os objetivos do herói.
O vilão não basta ser apenas alguém detestável, mas alguém crível, mesmo que acreditar em o odiar seja genuinamente o leitor ou telespectador. Vou fazer minhas considerações sobre dois grupos gerais de vilões, aqui não vou me aprofundar muito em teoria literária ou de roteiro.
O vilão monstro e o vilão humano. Mas calma lá isso não desrespeita a aparência ou a essência, mas a como ele é percebido, desenvolvido ao longo da história.
1 — Vilão tipo monstro
Seria aquele vilão monolítico, somente é apresentado, defeitos, alguém que parece encarnar o mal, sem nuanças, ou até mesmo um histórico antecedente sobre sua origem.
É aquele que é mal, e ponto final.
É o T1000 que tem como programação básica matar o Jonh Connor ou IT, o monstro dimensional que se alimenta de crianças a partir do medo. O xenomorfo, besta criada por manipulação genética cuja base é matar tudo que se meche e se proliferar como uma praga parasitando as suas vítimas.
Perceba que em todos esses exemplos, os vilões, não tem profundidade, não tem um drama pessoal que os construiu.
Mas importante dizer podemos encontrar esse tipo de vilão em personagens humanos. Exemplo o Anton Chigurh de No Country for Old Men. Um assassino implacável, que mata a sangue-frio e às vezes parece mais um monstro ou robô escondido debaixo de uma pele humana.
Geralmente esses se apresentam muito mais como somente função na história como parte do motor que movimenta a saga do protagonista, é a adversidade uma metáfora dos nossos medos, anseios, e inseguranças. Nos aproxima mais ainda do protagonista, nos causa identificação e empatia com ele, na medida que rejeitamos o vilão. Mas… também em alguns casos, um certo gozo, com o vilão, exemplo são os slasher.
Onde as vítimas são muitas vezes propositalmente burras, caricatas, mas isso é tema para outro artigo.
2 - Vilão tipo humano (humanizado)
Aqui temos um vilão muito mais profundo, com motivações que desperta até certa simpatia, no leitor, a uma transferência de empatia, para ele, isso não que dizer em hipótese alguma justificar o que ele faz ou se quer o tornar em herói.
A todo uma análise da sua construção dos seus algozes, e muitas vezes como parte do processo uma quebra da imagem do protagonista, ele não parecendo mais tão bonzinho. Esse tipo de vilão é mais complexo sua construção por parte do autor, pois não é somente jogar um monte de sofrimento nas costas dele, para dizer depois “Olha quanta merda aconteceu com ele! Por isso ele é assim.”
É construir coerentemente, eventos que sejam fidedignos e criveis, mesmo que se trate de algo absurdo ou fantástico, gosto de usar como exemplo o monstro de Frankenstein.
Aqui temos um monstro criado e rejeitado logo em seguida pelo seu criador, abandonado e solitário a criatura vai conhecendo o pior lado do ser humano, com isso alimentando profundo ressentimento sobre seu criador, até culminar em uma vingança obcecada. Perceba que neste primeiro exemplo fiz questão de usar um personagem não humano, para exemplificar, que estamos falando aqui do desenvolvimento do personagem não da essência dele.
Aqui temos um monstro criado e rejeitado logo em seguida pelo seu criador, abandonado e solitário a criatura vai conhecendo o pior lado do ser humano, com isso alimentando profundo ressentimento sobre seu criador, até culminar em uma vingança obcecada. Perceba que neste primeiro exemplo fiz questão de usar um personagem não humano, para exemplificar, que estamos falando aqui do desenvolvimento do personagem não da essência dele.
Outro exemplo que podemos usar é da novela brasileira Amor a Vida onde o personagem Felix:
Um gay não assumido, que convive com a rejeição do pai, isso lhe provocando complexo de inferioridade em relação à irmã, claro que culminou no final na redenção do personagem.
Um gay não assumido, que convive com a rejeição do pai, isso lhe provocando complexo de inferioridade em relação à irmã, claro que culminou no final na redenção do personagem.
Inclusive algo que pode acontecer, a redenção do vilão, que também é tema para outro artigo.
Pode agora você perguntar, qual o melhor modelo para minha história, a resposta é depende. Nenhum dos dois modelos são ruins. O vilão monstro por ser unidimensional não é necessariamente ruim, pelo contrário, um filme como o alien o oitavo passageiro seria muito esquisito, se o xenomorfo em meio aos massacres empregados a tripulação da Nostromos, ficasse refletindo sobre o sentido da vida com crise existenciais.
O vilão precisa ser algo que se encaixe organicamente na história, seja ele do tipo monstro ou tipo humanizado. Pois isso vai influenciar diretamente no desenvolvimento da narrativa.
28 de fevereiro de 2025
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