Porque estamos gostando tanto de distopias?
A distopia se tornou um gênero muito explorado, seja no cinema, nos livros, HQ, vídeo games ou filmes. Seria mentira dizer que isso já não acontecia antes, pois considero obras como, Mad Max, planeta dos macacos, death race, juiz dredd exemplos deste gênero. Mas hoje talvez tenhamos tido mais representatividade dessas produções, e digo até com stato mainstream. Enquanto essas produções em suas respectivas épocas eram muitas vezes nichadas, quase como produções B. Hoje é inegável que grandes franquias tem sido criadas a partir deste gênero como, por exemplo, a franquia de jogos fallout e que recentemente ganhou uma série pela Amazon prime.
Mas a pergunta é por quê? Porque essas obras são tão procuradas pelo público atual, inclusive tivemos uma queda no gênero fantasia, pelo menos no mercado literário aqui do Brasil.
Talvez seja aquilo que muito se fala, inclusive sendo uma fala recorrente do canal central pandora.
“Canal do YouTube que recomendo muito para quem gosta desse tipo de conteúdo”. A ficção não fala do futuro, mas do presente. É uma série de projeções psíquicas e sinceras de nossa realidade individual e coletiva.
Exemplo é que no advento da ameça nuclear que importante dizer ainda é um risco bem real. Filmes, livros e quadrinhos, abordando esse assunto não faltavam.
Godzilla (Ishirō Honda. 1956)
Hoje vivemos uma maior “conscientização”, das mudanças climáticas, e isso gera ao mesmo tempo, revolta, desejo de fuga, e impotência. A distopia ela flerta com o cair no abismo, o chutar o pau da barraca, não à toa que o primeiro Mad Max, mostra um mundo quase colapsando.
Muito do que sabemos sobre o nosso mundo, é a partir de uma óptica de desencanto. De percebermos a perda do controle, sobre nossas vidas, seja pelo cataclismo naturais, a violência política, e o capitalismo selvagem.
As distopias são viver, gozar, essa possibilidade do depois do incerto. Eu diria que a duas grandes vertentes desse sub-gênero. As românticas e as pessimistas.
Nenhuma dessas duas correntes é ruim ou boa, depende de como é trabalhada.
A romântica parte geralmente de um otimismo, individualista, ou divino, de um indivíduo escolhido, ou pelo destino, ou pelo acaso, que consegue causar uma crise e mudança, no estado das coisas. Como Moises, talvez Moises seja um dos primeiros heróis distópicos.
Filhos da esperança. (Alfonso Cuarón 2006)
O pessimista, é aquele em que não há mudança, temos que passivamente observar um mundo em colapso ou já colapsado, quase como um estudo antropomórfico, de uma sociedade. Como admirável mundo novo, onde uma sociedade controlada, pela distração, recusa em querer mudar e quem quer mudar é pequeno demais para conseguir fazer qualquer coisa significativa.
Admirável mundo novo (Aldous Huxley. 1932)
As distopias, ao mesmo tempo que instiga nossos medos de um futuro sem esperança, nos alerta para um presente, em crise, e como talvez lidar com o presente, não na ilusão de um futuro utópico que é a contra parte da distopia, mas um futuro possível. Distopias, sejam as pessimistas que nos deixam com um amargor nos lábios ou românticas que nos acende uma centelha de esperança, talvez nos instigue não só a pensar naquilo que não podemos fazer, mas justamente o que podemos fazer.
03 de fevereiro de 2025
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