O tempo psicológico
O tempo é uma noção humana, é nossa capacidade de perceber a passagem ou mudança de estados, das coisas, da estação, ao amanhecer e entardecer, do auge orgânico a sua decomposição, da construção material a decomposição e erosão, e a compreensão da transitoriedade.
Para uma organização criamos artificialmente formas de medir esse tempo de nos relacionarmos com ele, assim surgiu os rituais, seja do nascimento, colheita, morte, formas de marcamos e compreendermos dentro do possível o tempo, logo surgiu a compreensão do ano a partir de seus meses e tempos de virada.
Mas uma pergunta que faço é se existe um lugar onde o tempo não é tão delimitado, e creio que o inconsciente seria esse lugar, o inconsciente não tem uma demarcação nítida de tempo nem espaço. Por isso, quando sonhamos, é comum o lugar ser o ambiente do trabalho, mas também nossa casa, como também a casa de nossa infância, etc.
Por isso o trauma parece reviver algo que aconteceu e a fobia pare-se presentificar uma possibilidade futura, como a imaginação dá um vislumbre de algo que não aconteceu e a nostalgia um conforto há tempos passados, mesmo que não seja um fato concreto, é um fato psicológico.
O tempo é mais que uma passagem em um calendário, é um evento que nos atravessa e que nos relacionamos com ele, nossa forma, e sentidos inclusive influencia profundamente na nossa compreensão temporal, o passado é um passado tipicamente humano, assim como o presente e o futuro.
E tão entrelaçado esta que em casos graves de psicose é comum a fala da pessoa trazer reminiscências de passado longínquo não como uma recordação, mas como um fato atual. É como o ritual da ceia, onde não é um simples relembrar o sacrifício de cristo, mas uma reatualização é algo que está acontecendo naquele momento, mesmo que não seja “religioso”, fazemos involuntariamente isso com situações marcantes, com eventos que foram importantes. A uma reatualização, um fluxo temporal que não tem divisão, que parece ser um rio, que somente quando se aproxima da consciência começa a pegar se dividir em córregos separados, mas ainda, sim, sendo água da mesma fonte.
26 de Setembro de 2024
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