A balada da psique sobre Tipos Psicológicos



Tipos psicológicos, um conceito fundamental para psicologia analítica, mas muito mal compreendida como a maioria dos conceitos de Jung são, muitos a tratam como um tipo de horoscopo ou no mínimo uma forma de compreensão caricata das pessoas. 

Mas tipos, como próprio Jung ressalta, são modelos gerais de atitude. E não substituem os tipos pessoais, história de vida, cultura, etc.

Por ser algo geral, permite uma compreensão da atitude do sujeito, permite, que possamos, ter uma visão geral de como o mundo a atinge, afeta, ou melhor, como ele apercebe sua realidade, Jung separa dois grandes grupos tipológicos, a introversão e a extroversão. 


E dentro desses dois guarda-chuvas maiores temos os tipos funcionais, sendo respectivamente (Pensamento, Sentimento) racionais e (sensação e intuição) irracionais. 
  
A relação com o mundo será parte mediada por essas funções, e mais a nossa resposta aos estímulos também será influenciada. 

Sempre que uma função for consciente, sua contra parte será inconsciente: por exemplo, uma pessoa cuja função superior seja o pensamento, terá o sentimento inconsciente, e isso que gera profundo conflito.

Nossa tendência consciente é ser excludente e unilateral, algo importante para conseguirmos viver nossa vida, afinal precisa de mínimo foco, para se viver. Porém, essa unilateralidade excludente, faz com que esses aspectos de personalidade recaiam no inconsciente, se tornem inferiorizados, primitivos, sendo que sempre que vem a tona, vem de forma arcaica, infantil e até compulsiva. 


 É comum conhecermos pessoas, que, por exemplo, são muito racionais, temperadas quando lidam com assuntos lógicos. Mas quando precisam lidar com seus sentimentos, se comportam como crianças, e vise versa, já que o mesmo é válido para pessoas que tem uma profunda inteligência emocional, porém quando precisam lidar com assuntos práticos, que requer certa frieza, tem profunda dificuldade se travando. 

E isso ocorre também com as outras funções, sempre que uma função desponta como a diretória a sua contra parte inferiorizada vem a tona como uma nêmesis. 

Mas essa função que fica inferiorizada, ela deve ser reprimida? Realmente é apenas um diabinho que parte de nosso destino é atormentar? 

A resposta mais simples é um NÃO. 

A maneira que nos adaptamos em nossa vida para lidar com problemas, é influenciado justamente pela maior facilidade, menos gasto de energia. Sendo assim, muito de nossa atitude, é moldada por aquele conjunto de funções psicológicas que melhor supre esses requisitos. 

Contudo, em algum momento aparece um problema, que aquele arranjo psicológico não funciona mais, e aí entra a importância de resgatar muitas vezes essa função inferiorizada.

Marie-Louise von Franz, famosa analista e discípula de Jung, percebeu um padrão muito curioso que funcionava como uma alegoria para esse dilema, nos contos de fadas. 

  “Sivko-burko” (1926). Viktor Vasnetsov



Em algumas histórias, relatam um padrão, de um reino onde o rei está doente, ou faleceu, e precisa ser urgentemente substituído por algum de seus filhos, e sempre na história tem um dos príncipes, sendo o mais jovem, mais fraco ou mais bobo, pelo menos é visto assim por todos. 

Nesses contos, os seus irmãos, que parecem os mais capazes, acabam fracassando miseravelmente, seja, para matar o monstro, resgatar a princesa ou recuperar um item importante, sendo justamente o filho bobo, que tomando caminhos ilógicos e bem menos ortodoxos que consegue. 

Von Franz percebeu que esses contos têm uma alegoria, onde o rei pode ser visto, como o sistema antigo, ultrapassado, o filho mais velho a função superior, que não consegue mais da conta do novo problema e o filho tolo a função inferior, justamente aquela que pode renovar a psique.

Claro que não é tão simples, na prática, e não é simplesmente inverter a ordem, jogar a função inferior para consciência e recair a função diretória para o inconsciente, isso levaria apenas a uma enantiodromia. 

Mas seria mais buscar uma síntese do encontro entre os opostos, reconhecer o potencial que a função inferior tem, e importância, dela na vida, tanto quanto da função superior. 



19 de setembro de 2024



 




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