A autonomia do complexos
Hoje tive um conflito com uma pessoa, que reverberou no momento em que eu dava um breve cochilo, reverberou no sentido, de trazer a tona uma série de assuntos, memórias ruins e sentimentos. E sem eu se quer está pensando neles, vindo a tona como uma influenza.
Por isso em vez de apenas sofrer com isso resolvi também trazer isso em forma desse pequeno artigo, complexos são estruturas psicológicas, carregadas de afeto, com relativa autonomia, justamente por isso conseguem nos infernizar. Inclusive afetando e influenciando profundamente nossa atitude diante da vida e de nós mesmos.
Jung faz alusão a possessão demoníaca quando fala de alguns desses complexos quando constelados, e ele tem razão, pois esses complexos autônomos nos tiram do eixo. Muda completamente nosso humor, nos faz dizer, agir e se sentir descontroladamente, realmente complexos podem ser vistos como aqueles pequenos diabinhos que ficam ao pé de nosso ouvido a noite sussurrando, inconvenientes, e vergonhas.
Cena do filme Santa Claus, de 1959
O que dá essa autonomia é que como essas estruturas surrupiassem energia libido para si, como um sistema fechado, por isso ficamos exaustos, mas parece que o complexo continua a todo vapor. Como roubasse nossas forças vampirizassem nossa vida, de alguma forma o complexo tem um aspecto encantador, no sentido de gerar fascínio, roubar nossa atenção.
Claro que os complexos não são em si ruins e nem todos são de caráter negativo, o próprio eu, é dirigido pelo que o Jung chama de “complexo do eu”. Um complexo se torna negativo quando ele atinge um caráter completamente contrário a consciência ou quando a consciência fica tão unilateral que relega conteúdos completamente para o inconsciente. Sendo assim, esses complexos, eles falsificam a consciência, como substituíssem momentaneamente o complexo do eu, ou a função seletora e focada da consciência pelos seus conteúdos.
Por isso a pessoa quando possuída por esses complexos, enxerga o mundo através dele, usarei um exemplo simples, mas que pode ilustrar bem o que quero dizer, aqui. Uma amiga minha certa vez ficou com muito medo de engravidar, e ela relatou de como parecia ser “perseguida”, por esse tema, as placas de propaganda de frauda, os programas sobre gravidez indesejada, noticias sobre mães solteiras. Como o mundo conspirasse para ela sobre esse tema. A verdade é que muito antes do mundo se apresentar a partir desse tema, ela pensava de forma involuntária e compulsivamente sobre o mesmo.
Como o complexo roubava a função diretória da consciência, a sua atenção, interesse, afeto e raciocínio ficava hiper focado apenas sobre esse tema, claro que isso era só a superfície. Pois o complexo tem poder por ter raízes profundas no solo inconsciente, sendo alimentado por todas as questões de grande importância individualmente e coletivo.
Complexos nos lembram que não somos só um monólito, mas um mosaico que compõe a figura como todo.
23 de setembro de 2024
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