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A autonomia do complexos

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            Hoje tive um conflito com uma pessoa, que reverberou no momento em que eu dava um breve cochilo, reverberou no sentido, de trazer a tona uma série de assuntos, memórias ruins e sentimentos. E sem eu se quer está pensando neles, vindo a tona como uma influenza.      Por isso em vez de apenas sofrer com isso resolvi também trazer isso em forma desse pequeno artigo, complexos são estruturas psicológicas, carregadas de afeto, com relativa autonomia, justamente por isso conseguem nos infernizar. Inclusive afetando e influenciando profundamente nossa atitude diante da vida e de nós mesmos.      Jung faz alusão a possessão demoníaca quando fala de alguns desses complexos quando constelados, e ele tem razão, pois esses complexos autônomos nos tiram do eixo. Muda completamente nosso humor, nos faz dizer, agir e se sentir descontroladamente, realmente complexos podem ser vistos como aqueles pequenos diabinhos que ficam a...

Um conto sobre a vingança do Inconsciente - O gaiteiro de Franchville

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      Como Marie-Louise von Franz atestou em seu vasto estudo sobre contos de fadas, os contos de fadas são de certa forma o esqueleto da psique coletiva, todos os aspectos mais elementares e funções psicológicas se apresentam da forma mais crua possível.      Por isso o uso do conto de fadas também no estudo psicológico e na própria análise.      Um conto que eu gostaria de aqui usar para falar sobre o aspecto compensatório da psique, ou melhor, o preço que pagamos diante das atitudes e movimentos que tomamos no oceano psíquico que é nossas cabeças. E o conto “O gaiteiro de Franchville”, apesar de ser um conto relativamente conhecido, primeiro quero contar ele, para depois partir para uma possível interpretação.       Newtown ou Franchville, como era chamada no passado, é uma cidadezinha parada no tempo, como todos devem saber, na costa de Solent. Apesar de tranquila hoje em dia, já foi muito barulhenta, e quem fazia o ba...

A balada da psique sobre Tipos Psicológicos

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Tipos psicológicos, um conceito fundamental para psicologia analítica, mas muito mal compreendida como a maioria dos conceitos de Jung são, muitos a tratam como um tipo de horoscopo ou no mínimo uma forma de compreensão caricata das pessoas.  Mas tipos, como próprio Jung ressalta, são modelos gerais de atitude. E não substituem os tipos pessoais, história de vida, cultura, etc. Por ser algo geral, permite uma compreensão da atitude do sujeito, permite, que possamos, ter uma visão geral de como o mundo a atinge, afeta, ou melhor, como ele apercebe sua realidade, Jung separa dois grandes grupos tipológicos, a introversão e a extroversão.  E dentro desses dois guarda-chuvas maiores temos os tipos funcionais, sendo respectivamente (Pensamento, Sentimento) racionais e (sensação e intuição) irracionais.     A relação com o mundo será parte mediada por essas funções, e mais a nossa resposta aos estímulos também será influenciada.  Sempre que uma função for conscie...

Quando o sofrimento não tem nome

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  Na clínica é muito comum o paciente trazer um sofrimento sem nome, algo que ele sente, mas não consegue verbalizar como fosse algo que ainda se precisa inventar uma palavra para nomeá-lo.  E é muito interessante como para nós o dar nome as coisas, é quase um ato de as controlar, como adquirisse um certo poder mágico sobre elas, claro que talvez aqui eu fale de uma característica profundamente ocidental, de nossa cultura materialista. O não conhecer algo torna muito mais assustador. A neurose por ser inicialmente esse lugar sem nome, o sujeito se sente isolado dos iguais, e pelo mais que muitos batam no peito, dizendo que não ligam para opinião alheia, ou que sejam profundamente introvertidos, a verdade é que temos um profundo medo de nos isolar. Como Freud percebeu muito acertadamente, o medo do homem não é um medo qualquer, mas o do abandono.  O não ter nome é possuir uma maldição, algo que os outros não vão compreender e por isso vão se afastar, é ser um pária. ...